Impostos dos Restaurantes: antes e depois da Reforma

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Comparação dos impostos dos restaurantes antes e depois da reforma tributária
Foto por Unsplash

A reforma tributária não troca apenas os nomes dos impostos. Para os restaurantes, ela altera a forma de documentar vendas, aproveitar créditos, comparar fornecedores e calcular a margem de cada produto.

Hoje, a tributação pode envolver PIS, Cofins, ICMS e ISS, além das regras próprias do Simples Nacional. No novo modelo, CBS e IBS assumem gradualmente o centro da tributação sobre o consumo.

A mudança será progressiva. Por isso, o restaurante precisa compreender o sistema atual, o futuro e os anos em que os dois conviverão.


Quais impostos atingem os restaurantes hoje?

A resposta depende do regime tributário, do estado, do município e do tipo de operação. Um restaurante do Simples geralmente recolhe tributos na guia DAS, mas continua sujeito a regras específicas, como ICMS por substituição tributária, tributação monofásica e obrigações estaduais e municipais.

No Lucro Presumido ou Real, PIS e Cofins são federais; o ICMS normalmente alcança a circulação de mercadorias e o fornecimento de alimentação; e o ISS pode aparecer em serviços contratados ou em operações específicas. A folha de pagamento e os tributos sobre renda não desaparecem com a reforma do consumo.

O ponto central

IBS e CBS substituem tributos sobre o consumo, mas não substituem IRPJ, CSLL, contribuição previdenciária, FGTS ou todas as obrigações do restaurante.

Por que a carga atual varia tanto?

Dois restaurantes com o mesmo faturamento podem pagar valores diferentes por causa do regime, da folha, dos produtos vendidos, dos benefícios estaduais e da composição das compras. Bebidas alcoólicas, pratos preparados e itens revendidos podem receber tratamentos distintos.

"A comparação correta não é alíquota antiga contra alíquota nova. É carga efetiva, créditos, preço e margem antes e depois."

Contabilidade Guedes

O que muda com IBS e CBS?

A CBS é federal e substituirá PIS e Cofins. O IBS será administrado de forma compartilhada por estados e municípios e substituirá ICMS e ISS. Os tributos seguem uma lógica de IVA dual, com incidência ampla sobre bens e serviços e não cumulatividade baseada nas regras legais.

Para bares, restaurantes e lanchonetes, a Lei Complementar nº 214/2025 criou regime específico. Nas operações abrangidas, as alíquotas de IBS e CBS são reduzidas em 40%, o que significa aplicação de 60% da alíquota correspondente — não uma alíquota final de 40%.

Antes e depois: comparação prática

PontoModelo atualNovo modelo
Tributos sobre consumoPIS, Cofins, ICMS e ISSCBS e IBS
CréditosRegras fragmentadas e dependentes do tributo e regimeNão cumulatividade mais ampla, respeitadas vedações e requisitos
Documento fiscalCampos e tributos atuaisIBS e CBS destacados conforme leiautes
TransiçãoSistema atual continua durante parte do períodoImplantação gradual até a substituição completa

O crédito não resolve tudo

O novo modelo foi desenhado para reduzir a cumulatividade, mas isso não significa que todo gasto gerará crédito nem que todo restaurante terá economia. É preciso conferir o documento do fornecedor, a vinculação da compra à atividade, as restrições legais e o regime escolhido.

No regime específico de alimentação, o adquirente não pode apropriar créditos de IBS e CBS sobre a refeição e as bebidas fornecidas pelo restaurante. Esse detalhe importa especialmente no atendimento a empresas.

Quando ocorre a mudança?

Em 2026 começa a fase de teste e adaptação dos documentos fiscais. Em 2027, a CBS entra em vigor e PIS/Cofins são extintos, conforme o cronograma oficial. A transição de ICMS e ISS para o IBS ocorre gradualmente entre 2029 e 2032, com implantação integral do novo modelo prevista para 2033.

Durante a transição, o restaurante precisará administrar sistemas, cadastros e apurações que reconheçam os tributos de cada etapa. Esperar 2033 para começar seria tarde demais.

E o Simples Nacional?

O Simples Nacional permanece. Entretanto, as empresas precisarão avaliar as opções aplicáveis ao IBS e à CBS e os efeitos sobre créditos, compras, clientes e preço. Para restaurantes predominantemente B2C, a análise é diferente daquela de operações que vendem refeições por contrato para empresas.

A comparação deve usar os números reais do estabelecimento: faturamento por produto e canal, folha, compras documentadas, CMV, comissões de delivery, despesas e margem.

Como simular o impacto no restaurante

  1. Apure a carga atual: separe DAS ou tributos por competência e identifique pagamentos fora da guia.
  2. Classifique o cardápio: diferencie alimentação preparada, bebidas alcoólicas, bebidas preparadas e simples revenda.
  3. Mapeie compras: verifique notas fiscais, fornecedores e créditos potenciais.
  4. Separe os canais: salão, balcão, eventos, delivery próprio e plataformas têm custos diferentes.
  5. Projete a transição: aplique as regras de cada ano, evitando comparar diretamente 2026 com 2033.
  6. Recalcule preços: preserve margem por item, e não apenas o percentual médio do faturamento.

Não existe resposta universal

A reforma pode aumentar ou reduzir a carga efetiva conforme o regime, o perfil de compras, os produtos, os créditos e a formação de preço. Uma simulação séria precisa usar dados do próprio restaurante.

Fontes oficiais utilizadas

Este artigo considera a Lei Complementar nº 214/2025 e o material da Receita Federal Entenda a Reforma Tributária do Consumo. Normas e leiautes operacionais devem ser acompanhados durante toda a transição.

Perguntas Frequentes

Quais impostos IBS e CBS vão substituir?
A CBS substituirá PIS e Cofins. O IBS substituirá gradualmente ICMS e ISS.
Restaurantes pagarão menos impostos?
Não é possível afirmar de forma geral. O resultado depende do regime, dos produtos, das compras, dos créditos e da margem de cada estabelecimento.
A redução de 40% significa pagar alíquota de 40%?
Não. A redução incide sobre as alíquotas aplicáveis; nas operações abrangidas, utiliza-se 60% da alíquota correspondente.
O Simples Nacional vai acabar?
Não. O Simples permanece, mas o restaurante precisará avaliar as regras de IBS e CBS e seus efeitos sobre créditos e competitividade.

Compare a operação completa, não apenas alíquotas

A melhor decisão nasce da comparação entre carga efetiva, créditos, custos e margem. O restaurante que organiza os dados agora terá condições de ajustar sistemas e preços ao longo da transição.

Continue pelo nosso guia sobre reforma tributária para restaurantes, veja as regras do Simples Nacional e entenda a nota fiscal com IBS e CBS.

A Contabilidade Guedes é especializada em restaurantes e pode elaborar uma simulação com os números reais da operação.

Referência No Setor

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